17/12/2025
Bordado Terapia: O Ponto de Partida para um (Re)encontro
Quando completei 62 anos em fevereiro deste ano de 2025, recém-aposentada em janeiro, comecei a refletir intensamente sobre a finitude da vida. Essa reflexão, confesso, me trazia um medo paralisante.
Foi então que iniciei a terapia. Mas, paralelamente, algo inesperado aconteceu: eu retomei o bordado. Digo "retomei" porque, enquanto ainda estava na correria do trabalho, eu estava focada na empolgação dos amigurumis, e o bordado havia f**ado de lado.
Um dia, ao olhar para um bordado inacabado — aquele do casal no jardim florido, cuja foto já compartilhei aqui - decidi concluí-lo.
E, a cada flor bordada, a cada folha finalizada, ao ver o cabelo da moça ganhar forma e a copa da árvore ser preenchida, eu sentia uma profunda transformação. A criação, a liberdade na escolha das cores, a concentração nos pontos — tudo isso me despertou. Senti-me viva, vibrante e aberta a experimentar o novo.
Aquele medo da finitude foi se apagando e, em seu lugar, nasceu um movimento de querer mais, de buscar novas possibilidades.
E foi assim que a terapia de consultório perdeu o sentido para mim. O bastidor e a agulha, com seus fios e texturas se tornaram meu espaço de cura e de encontro comigo mesma.
Bordar é (re)encontrar-se.