11/08/2024
Então, tá...
Não gosto de datas comemorativas, sempre ( ou pelo menos desde quando entendi o significado de) fui contrária a comemorar Dia dos Pais, Dia das Mães e afins, muito antes do "politicamente correto" buscar comemorar o "Dia da Família". A razão é muito simples: e quem não tem? E os que abandonaram? E os que já partiram? E por aí vai.
Para mim, especialmente, essa é uma data muito, absurdamente difícil. Meu pai partiu 18 dias após o "Dia dos Pais", no ano de 1976. Pouco antes eu e ele tivemos uma briga terrível e, por isso, durante anos e anos carreguei uma dor monstruosa, tipo remorso, até que caiu a ficha: meu pai me fez assim, reativa, o tipo de pessoa que não carrega desaforos, que não aceita ser subjugada ou mesmo julgada. Pior é que nem foi por algo que eu tenha feito, mas para defender outra pessoa... Enfim... Ele me fez curiosa, sempre querendo saber mais e mais e mais. Por isso brigamos. Então, pai, na boa, nesse sentido sou seu reflexo.
Gostaria de dizer um milhão de coisas para ele, ainda hoje, cousas que não deu tempo, contar as novidades - agora além de bisavô, ganharia um trineto (é assim que se fala?), seria um baita trisavô corujasso ( só tem meninos na minha família - além da Babi, é claro).
Contar que a curiosidade que ele despertou láaaaaaaaaaaaaa quando eu tinha 4 ou 5 anos ficou insaciável e que ainda agora continuo estudando (vou começar outra agora, pai, essa você ia gostar - Neurociência rsrsrs).
Dizer que, desculpa aí, não sou fluente em francês como ele sempre quis, mas conseguiria sobreviver nas Olimpíadas.
Dizer que a fotografia dele que mais me deixa em paz é essa aqui, dele aos 17 (ou 16, não lembro), quando ainda as dores do mundo não estavam marcando seu rosto.
Que saudade, pai, caramba!!!!!Que droga.
Só quero dizer que continuo caminhando, mas que a dor não vai embora, mente quem diz que passa.
Amo você, vou amar para sempre.
Vou até ali enxugar os olhos e estudar.
Até um dia.