24/10/2022
Um dos maiores problemas do setor da reabilitação é a reabilitação não estrutural, que, por não pôr em risco a estabilidade do edifício, é, não poucas vezes, abordada pelas empresas da área com pouca seriedade e responsabilidade sobrepondo a otimização financeira à qualidade e eficiência do sistema aplicado. Esta realidade é um dos fatores de descrédito e desinvestimento por parte dos Donos de Obra, o que é deveras preocupante, devendo ser alvo de séria reflexão e reforço na fiscalização, controlo e profissionais das empresas que atuam neste setor.
Por outro lado, o Dono de Obra tem a sua cota parte de responsabilidade neste fator, pois, na maioria das vezes utiliza o fator económico como fator decisivo no processo de adjudicação de uma obra de reabilitação. Como consequência disso, tendo em conta a enorme concorrência existente neste mercado, as empresas tendem a esmagar margens e adaptarem-se aos preços praticados, fazendo com que muitas vezes prescindam das melhores práticas e materiais, culminando não poucas vezes em obras de reabilitação deficientes e/ou pouco sustentáveis no tempo.
Reabilitar exige, portanto, uma preparação especial de todos os intervenientes nesse processo desde o Dono de Obra até à entidade executante. É de fácil perceção que quando se sobrepõe o fator económico a todos os outros fatores inerentes a um processo de reabilitação, tais como, conhecimento do histórico do edifício a reabilitar, conhecimento de diferentes sistemas construtivos e materiais a implementar, constrangimentos que o ato de reabilitar comporta, entre outros, o resultado final obtido muito dificilmente será o que melhor servirá os interesses do Dono de Obra que passa pela sustentabilidade e máxima durabilidade da intervenção pedida e para o mercado da reabilitação, que por deficiente intervenção de várias empresas, mancha a reputação e importância das empresas do mercado da reabilitação na sociedade e na conservação do parque habitacional existente em Portugal que se encontra bastante degradado e desatualizado.
Em qualquer setor, os processos e soluções construtivas, deverão ser aplicados por profissionais formados, com o máximo conhecimento técnico acerca da solução para que a mesma possa ser aplicada para atuar no auge da sua eficiência e por outro lado para evitar incidentes e acidentes, que se podem materializar no pior caso, em perdas humanas.
Neste sentido, dever-se-á trabalhar de forma mais incisiva na sensibilização, para que, o Dono de obra que na maioria das vezes não tem os conhecimentos técnicos para decidir em seu benefício sobre qual a melhor solução a implementar no seu imóvel a reabilitar tendo em conta a tripla relação qualidade / sustentabilidade / preço, chegasse ao entendimento que o recurso e investimento em equipas de fiscalização e coordenação de segurança em obra, diminuirá drasticamente a probabilidade de ocorrência de incidentes, acidentes e obras executadas de forma deficiente, realizar planos de manutenção a curto, médio e longo prazo promovendo assim uma transformação do nosso parque habitacional, mais eficiente e mais sustentável a todos os níveis.