10/10/2025
Passaram 3 dias da minha ida à .rtp para conversar com a , não sobre o Afonso, mas sim sobre como é que a nossa família superou a perda de um de nós.
Há 6 anos que a Tânia manteve a porta da sua “sala” aberta e um lugar no seu sofá para eu partilhar a minha (nossa) história de mãe (família) que perdeu um filho.
Inicialmente não me sentia preparada e, quando finalmente me senti, veio o desconforto por parte do meu filho Manel face a uma maior exposição. Respeitei. Passaram 6 anos e, com os seus 21 anos, o Manel disse “Podes ir, Mãe. Se achas que vais ajudar outras pessoas, vai.”
Não foi sobre o Afonso, não foi sobre a nossa família em particular, foi mostrar um outro lado do luto, da perda. Um exemplo de como podemos renascer, aprender, reavaliar as nossas vidas, o que andamos cá a fazer, o que viemos cá aprender. A capacidade de viver e ser feliz, vivendo com a pessoa que perdemos dentro de nós. Pensar nela, como alguém que está vivo para além de nós, que se preocupa connosco, que nos guia, que se orgulha de nós.
Ainda estou a processar as centenas de comentários aos posts da Nossa Tarde e da Tânia. Agradeço do fundo do coração o carinho e apoio. Sinto uma empatia gigante pelos pais que também perderam um filho e que ainda não encontraram paz. Partilho o sentimento de “ave rara” com os pais que perderam um filho e que vivem em paz e a alimentar a sua felicidade.
Recebi uma mensagem de uma mãe (hoje com 83 anos) que perdeu o seu filho de 34 anos. Nessa mensagem disse-me que me percebia tão bem… durante muito tempo achou que deveria ser uma pessoa muito fria porque não partilhava de muitos dos sentimentos e pensamentos de outros pais em luto. Foi uma vez ao cemitério. Mas que isso nada significa porque o filho vive dentro dela. E, na troca de mensagens que tivemos, por duas vezes, terminou assim: VIVA A VIDA!
Ao que eu acrescento “… E JUST SMILE” (mojo tao usado pelo Afonso) 💙💫
PS: O Afonso faz-se notar muitas vezes no nosso dia-a-dia (à mesa quando só faltava ele, como nesta fotografia… ficámos todos calados a olhar para a lata 😜). E escolhi esta música porque partilhamos tudo o que nos acontece com ele 🥰