24/08/2018
O crochê pode ser um grande aliado para o bem-estar
Mais do que um passatempo, crochetar acalma, previne Alzheimer e alivia o estresse, a depressão e a ansiedade
Por Karla Precioso
Falta de ânimo, cansaço mental, monotonia… Dar fim a esses incômodos pode ser simples e prazeroso. Pesquisas comprovam que fazer crochê é uma excelente terapia. A professora Simone Eleotério assina embaixo. “Criar algo com as próprias mãos é a possibilidade de se expressar. É também uma maneira de aumentar a concentração e, assim, conservar as atividades cerebrais a todo v***r, nos mantendo longe de males como depressão e Alzheimer”, diz Simone, que também é consultora da Linhas Círculo. Saiba mais sobre os efeitos positivos do crochê ao corpo e à mente.
Por que o crochê ajuda a curar e prevenir doenças
A atividade requer concentração, raciocínio e coordenação motora, o que ajuda a prevenir doenças degenerativas, como Alzheimer e Parkinson.
Manter-se intelectualmente ativo também pode afastar a depressão e diminuir a ansiedade.
A execução do trabalho altera a química do cérebro, diminuindo os hormônios do estresse e aumentando os níveis de serotonina e dopamina. Essas substâncias são responsáveis pelas sensações de bem-estar e prazer.
Os movimentos repetitivos baixam a pressão sanguínea e geram uma sensação de relaxamento. Ainda estimulam a agilidade das mãos.
Nos hospitais, é “remédio”
Alguns hospitais já adotaram a prática do crochê para aliviar a tensão e a ansiedade dos pacientes e de seus familiares. O Hospital Geral de Itapevi, na grande São Paulo, participa do Projeto Tecendo a Vida. O trabalho é feito por voluntários que dão aulas de crochê nos setores de pediatria, ginecologia, psiquiatria e ortopedia. Para Rosana Navajas Barbosa, supervisora da área pediátrica, “a atividade pode tranquilizar o acompanhante, refletindo no bem-estar do paciente”. Ela conta o caso de uma mãe que resistia à internação do filho: “Quando ela passou a frequentar as aulas se tornou mais receptiva e menos agressiva. E a criança reagiu muito melhor ao tratamento”. Especialistas em terapia ocupacional garantem que essa arte-terapia é um método eficiente, já que estimula a criatividade e serve ainda de válvula de escape para aliviar a tensão.
Os benefícios são para todos
Um estudo feito pela Universidade Católica de Brasília comprovou que o hábito de fazer crochê melhora a autoestima dos idosos. Ao se sentirem capazes de produzir algo a partir de uma linha e uma agulha, diminuem-se os impactos do envelhecimento: “Essa atividade é uma ótima ferramenta de recuperação psicológica, social e imunológica dos idosos. Ela permite a liberação de emoções, a melhora da comunicação, o fortalecimento da autoimagem e a redescoberta de seus potenciais criativos”, afirma Maria Heliana Mota Guedes, autora da pesquisa. Fazer crochê também trabalha os músculos e estimula a visão e o tato. E pode ser praticada a partir dos 10 anos.
O artesanato liberta a mente
Fazer crochê diverte, tranquiliza e estimula o desenvolvimento psicomotor das crianças. Escolas também passaram a incluir a prática nas aulas de artes. Segundo a psicopedagoga Silvia Amaral, a ideia é desviar a atenção delas para uma técnica que foge das inúmeras tarefas mentais a que são submetidas diariamente. Dessa forma, os pequenos descobrem outras fontes de prazer e se desenvolvem melhor: “É um processo de libertação. As crianças passam horas jogando videogame. O artesanato ajuda a relaxar e a buscar novas maneiras de se divertir”, diz a especialista.