18/04/2026
Decoração interpretativa,
É assim que eu nomeio o meu modo de criar, porque, antes de compor, eu escuto. Antes de escolher, eu sinto, interpreto.
Quando olho para trás, percebo que isso nunca foi só uma forma de trabalhar, mas algo que sempre fez parte de mim. Sempre tive um olhar atento ao outro, uma facilidade em compreender, em escutar de verdade. Muitas vezes fui aquela amiga que acolhe, a “caixinha de segredos”… não por acaso, mas por presença genuína.
E talvez seja isso que me trouxe até aqui: a empatia.
Esse gesto genuíno de querer compreender, de realmente ouvir, de buscar o que está além do óbvio.
A empatia não é só uma qualidade, é uma construção. Uma habilidade que se lapida com o tempo, desde quando começamos, ainda crianças, a reconhecer no outro aquilo que também nos habita.
Na criação de um projeto, técnica e estética são fundamentais, mas não suficientes. Um espaço só se torna verdadeiro quando carrega identidade. E identidade, não se impõe, se revela.
Interpretar é isso: deslocar-se de si para acessar o universo do outro.
É projetar não apenas um cenário, mas uma presença.
Traduzir uma pessoa em forma, textura, cor e atmosfera e fazer com que tudo pareça, naturalmente, pertencer a ela,
é para mim, uma das maiores realizações.
E é por isso que eu amo o que faço.