11/07/2019
São Bento
(11 de Julho)
Instituiu a Regra dos Beneditinos (O.S.B.)
Bento, Patriarca de inúmeros religiosos, nasceu na Umbria no ano de 480, aproximadamente. Era
filho de pais ilustres que não pouparam sacrifícios para dar-lhe esmerada educação. Contrário à
inclinação natural da idade, desde menino São Bento mostrava aversão aos brinquedos infantis e
amor declarado à oração.
Logo que o desenvolvimento espiritual do menino o permitiu, levaram-no os pais a Roma, com o fim
de encetar estudos numa escola pública. O meio em que as circunstâncias o obrigaram a viver, não
lhe agradou e, receando o naufrágio de sua inocência, em companhia de tantos moços, que levavam
vida repreensibilíssima, resolveu cortar todas as relações com o mundo. Para pôr em seguro a
salvação, abandonou Roma e retirou-se para um lugar ermo.
A aia, que lhe era muito dedicada, acompanhou-o trinta milhas, até uma aldeia de nome Afila. São
Bento, subtraindo-se à vigilância de boa mulher, escondeu-se no ermo de Subíaco. Jovem de 15 anos
apenas, encontrou-se São Bento com o eremita Romano, que lhe deu o hábito de monge, instruindo-
o sobre a vida regular e os respectivos deveres. Em seguida levou-o a uma gruta bem retirada, na
serra, desconhecida e de difícil acesso.
Foi esta gruta, chamada gruta santa, que escolheu para morada. Romano prometeu-lhe a mais
estrita reserva sobre o esconderijo e também trazer-lhe a provisão necessária de mantimentos. Três
anos passou São Bento naquela gruta, sem receber visita, a não ser de Romano. Deus, porém,
querendo fazer brilhar a luz da santidade de seu servo, pôs a descoberta a existência do jovem
eremita. Um sacerdote daquela região, estando a preparar a refeição, ouviu uma voz dizendo: "Estás
preparando teu jantar, quando meu servo Bento morre de fome no deserto". O servo de Deus pôs-se
a caminho, em procura do Santo e só superando inúmeras dificuldades o encontrou. Bento,
admiradíssimo de receber visita, não quis conversar com o desconhecido, senão depois de ter
passado algum tempo com ele em oração. O sacerdote ofereceu-lhe em seguida comida e insistiu
para que ele se alimentasse, pois não achava conveniente o jejum em dia da Páscoa. São Bento
ignorava esta circunstância. Terminada a refeição, o sacerdote retirou-se. Tempos depois o paradeiro
de São Bento foi descoberto por pastores. Estes, vendo-o, julgaram estar diante de um animal feroz,
engano causado pela pele de animais com que São Bento se cobria, e pelo fato inesperado de
encontrar-se um ser humano nos rochedos de Subíaco, por todos classificados de inabitáveis. Assim
foi aos poucos conhecida a morada do Santo nos rochedos de Subíaco, em particular a gruta, que se
tornou alvo da visita de muita gente, que lá ia para receber conforto e conselho do santo eremita.
Quem julga ser ermo o lugar inacessível a tentações, engana-se. A gruta de Subíaco, tão afastada do
bulício do mundo, foi teatro de lutas horríveis. O demônio, que perseguiu o Divino Mestre até o
deserto, descobriu também o esconderijo de São Bento, e tudo fez para demover o santo do
caminho de Deus. Ora importunava-o com a aparição de um pássaro preto; ora eram os jogos de
fantasia, com que projetava diante da alma do jovem as imagens mais sedutoras da vida de Roma. A
tentação era tão forte, que foi preciso Bento lutar com a máxima energia, para não deixar o ermo e
voltar ao mundo. Para extinguir o fogo da paixão e quebrar o aguilhão da tentação, São Bento
revolvia-se em espinhos, conseguindo por estes meios extraordinários a vitória do espírito sobre a
carne.
Devido à fama de santidade, foi enorme o número de pedidos dos que desejavam viver sob a direção
do santo eremita. Após muitos rogos insistentes, aceitou a dignidade de abade do Convento de
Vivaro. A disciplina daquele convento, porém, estava tão corrompida, que São Bento se viu obrigado
a proceder com bastante rigor, no intuito de reconduzir os monges relaxados à observância fiel da
regra. Formou-se entre os religiosos tão estranhada antipatia contra o santo superior, que terminou
por degenerar em ódio. Para livrar-se-lhe da vigilância, conceberam o plano sinistro de matá-lo.
Adicionaram forte dose de veneno ao vinho, que ia ser apresentado a São Bento. Quando este,
porém, conforme o seu costume de benzer o alimento antes de o tomar, fez o sinal da cruz sobre a
bebida, o copo partiu-se. Longe de se irritar com este fato, disse aos irmãos: "Deus vo-lo perdoe,
meus irmãos. Tendes agora a prova de que tive razão, quando, logo no princípio, vos disse que os
meus costumes não combinavam com os vossos".
São Bento abandonou o convento dos monges rebeldes e voltou para Subíaco. Lá o número dos
discípulos crescia-lhe de dia para dia de modo que, em poucos anos, foi preciso fundar doze
conventos. São Gregório fala de muitos milagres, que São Bento fez na época da fundação dos
mosteiros. As famílias mais nobres de Roma, confiavam os filhos à direção do santo homem. Os
santos Plácido e Mauro , ambos filhos de senadores de Roma, figuraram entre os primeiros
educandos de São Bento.
O inimigo de Cristo via com grande desgosto os progressos da nova Ordem, e não se descuidou de
armar-lhe o laço. O instrumento de que se serviu, foi um mau sacerdote, vizinho de Subíaco.
Florêncio, assim se chamava a infeliz criatura, espalhou horríveis calúnias contra o Santo. São Bento
não teve outra resposta, senão o silêncio. Receando que sua presença pudesse irritar ainda mais o
mau gênio de Florêncio, saiu de Subiaco e fixou residência em Monte Cassino. Mal tinha saído de
Subíaco, quando teve notícia da morte repentina do caluniador, soterrado nos escombros de uma
casa.
No cume do Monte Cassino existia um templo do deus Apolo e perto do templo havia um bosque,
consagrado à mesma divindade. Templo e bosque gozavam ainda de grande veneração. Vexado com
este resto de paganismo São Bento começou a pregar o santo Evangelho. A pregação e os
numerosos milagres que fazia, converteram muitas pessoas. O templo foi derrubado e nas ruínas se
ergueram dois conventos, sob a invocação de São João Batista e São Martinho. Tal é a origem do
célebre mosteiro de Monte Cassino, fundado em 529, quando São Bento contava 49 anos de idade,
sendo Justiniano imperador, Papa Felix III, e Rei da Itália Atalárico, chefe dos Godos.
São Bento não possuía a ciência das coisas profanas; tanto mais versado era na ciência de Deus e da
salvação. Em Monte Cassino escreveu a admirável regra para a vida monástica. Nesta obra
monumental São Bento revelava um profundo conhecimento da alma humana e da ciência que a
conduz ao ápice da perfeição. São Gregório encantava-se com o espírito de sabedoria e modéstia
desta regra e não hesitava em preconizá-la entre todas a primeira. A regra de São Bento foi adaptada
por todos os monges do Ocidente e conservou-se por muito tempo como base da vida monástica. Eis
o que prescreve a dita regra: o silêncio, a oração, o trabalho, o recolhimento, a caridade fraterna e a
obediência. São Bento chamava sua Ordem escola para aprender a servir a Deus. Ele mesmo mostrou
pelo exemplo a excelência da obra. Sendo superior da Ordem, era para todos os filhos o modelo de
monge exemplar. Como outro Moisés, escolhido por Deus para conduzir o povo eleito, de Deus
recebeu o dom dos milagres e da profecia, para autenticar-lhe a alta missão. A natureza era-lhe
sujeita e o segredo das coisas futuras desvendava-lhe ante os olhos.
Na presença de muito povo chamou a vida um noviço, cujo cadáver foi tirado dos escombros de um
muro desmoronado. Predisse que o mosteiro de Monte Cassino seria profanado e destruído, o que
aconteceu no ano de 850, por ocasião da invasão dos Lombardos e na grande guerra mundial, em
1944.
Totila, rei dos godos, quis provar o espírito profético do Santo, e ordenou a um dos oficiais, chamado
Rigo, que se apresentasse a São Bento em traje real e com a comitiva da corte. Rigo compareceu na
presença de São Bento, o qual vendo-o sem se levantar da cadeira, lhe disse: "Meu filho, tira a
vestimenta que usas, porque não é tua".
Totila, sabendo deste fato, foi ter o abade de Monte Cassino e admirou-se grandemente, vendo-se
recebido pelo Santo com estas palavras: "Já praticastes muitos males e como vejo, maiores ainda
praticarás. Hás de tomar Roma, transpôr o mar e reinar por espaço de nove anos. No décimo ano
morrerás e comparecerás perante o tribunal de Deus, onde darás conta de tudo o que fizeste". Esta
profecia cumpriu-se em todos os detalhes. Totila assustou-se bastante com as palavras do Santo
Patriarca, a cujas orações se recomendou. Tendo tomado mais tarde Nápolis, tratou os prisioneiros
com uma caridade tal, que não se poderia esperar de um rei bárbaro.
São Bento morreu no mesmo ano que sua irmã Santa Escolástica , porém depois dela, e um ano
depois da visita do Rei Totila. Predisse a sua morte e seis dias antes mandou abrir a sepultura. No
sexto dia da doença foi levado à Igreja, para receber os últimos sacramentos. Depois de ter feito
umas exortações aos religiosos, de pé e as mãos elevadas ao céu, exalou o espírito, em 21 de março
de 543, tendo a idade de 63 anos. Grande parte das relíquias descansam no Mosteiro de Monte
Cassino hoje completamente restaurado. As outras foram transportadas para a abadia de Fleury, na
França.
Reflexões:
- Em muitas coisas podes imitar o santo exemplo do grande Patriarca. Se não te é dado viver, como
ele, afastado do mundo, servindo a Deus na solidão, não te será difícil fazer do Domingo um dia de
recolhimento espiritual, dedicando-te mais do que nos outros dias a práticas de caridade e piedade.
Além de assistir à santa Missa, poderias fazer uma leitura espiritual, visitar um doente, fazer uma
visita ao SS. Sacramento e examinar mais dedicadamente o estado de tua alma.
- Um olhar precipitado e imprudente que São Bento, moço ainda e quando no mundo lançou sobre
uma pessoa do outro s**o, causou-lhe grandes tentações. Para debelá-las, foi preciso castigar
severamente o corpo e fazer dura penitência. Engana-se e está no caminho para o pecado, quem
supõe poder dar toda a liberdade aos olhos. Jó dizia: "Eu fiz um pacto com os meus olhos, para que
não fixassem culposamente sobre uma donzela". Quem não põe um freio aos olhos, mais cedo ou
mais tarde verá o inimigo, (a fera de que fala São Pedro), em sua casa. Nesta matéria, todo cuidado é
pouco. A concupiscência, a inclinação má e natural aos pecados carnais, é a inimiga mais terrível que
temos. Quem se meter a brincar com ela, tornar-se-á seu escravo; a queda será certa, certíssima.
- Poderás imitar São Bento pelos bons exemplos e zêlo que deves dar a teu próximo, principalmente
às pessoas da tua família. Diz São Paulo, que aquele que não se interessa pelo bem estar das pessoas
de sua convivência íntima, é pior que pagão.
Fonte: Página Oriente