A história da Fino Trapo Rodrigues a primeira vista parece só mais uma história de sonho que virou realidade. Mas não é só mais uma história, é uma trajetória única, marcada pela personalidade de sua idealizadora e artista principal: Rosane Leandro Rodrigues. Filha e sobrinha de alfaiates e costureiras, Rosane foi criada entre linhas e agulhas. Por não ter condições de comprar bolsas novas e pelo
gosto precoce pelo customizado, a veia artística aflorou desde cedo. Nascia, em Porto Alegre, em 1983, a Pé Chato, marca criada para roupas feitas em tricô, a mão. Mais tarde, após pedir a bolsa de uma amiga e usá-la “até gastar”, Rosane decidiu utilizar testar seus talentos e confeccionar uma nova bolsa para presentear a amiga. A ideia deu certo e foi apoiada por amigos que encomendavam as bolsas e sacolas cuidadosamente customizadas. Rosane engajou-se na luta pelo artesanato e foi uma das primeiras artesãs cadastradas na Casa do Artesão, da Federação Gaúcha do Trabalho e Ação Social do Rio Grande do Sul. Durante os anos 80 e 90 a Pé Chato seguiu tímida, mas o sonho de viver do artesanato manteve-se sempre vivo. Ampliando suas inspirações e indo além das bolsas, Rosane - “catadeira” assumida – começou a enxergar arte em janelas e portas velhas. Em 1999 a Pé Chato cresceu e virou Fino Trapo. O nome e a marca foram presente da primeira madrinha da carreira: Simone Ferreira. Amiga de longa data, Simone estava encerrando o trabalho que fazia com vestidos de retalhos e a marca seria aposentada. Sob nova direção artística a Fino Trapo ganhou sobrenome e a Fino Trapo Rodrigues nasce com a premissa de unir produtos customizados e consciência ambiental. Com o alto preço do material e a necessidade de um estoque diversificado para produzir peças únicas a Fino Trapo Rodrigues lança sua primeira linha de produtos reciclados, utilizando como matéria-prima tecidos que outras empresas jogavam fora. Uma rápida busca no Banco Social de Tecidos de Porto Alegre rendeu um pequeno lote de tecidos, suficiente para alguns testes de novos produtos no ateliê situado no sótão da casa onde Rosane viveu por 37 anos. Ainda em 1999 Rosane descobriu que calças jeans usadas eram uma excelente matéria prima para bolsas e organizadores e, com a ajuda dos amigos que doaram a “velha calça desbotada ou coisa assim”, lançou uma linha com predominância de jeans reutilizado e acabamentos com os tecidos doados. Em 2003 Rosane se mudou para um pequeno apartamento, onde improvisou, em um canto da sala um pequeno ateliê. Os anos seguinte foram de muita luta, conciliando o sonho com a realidade de ter que trabalhar em outra profissão. Em 2012 Rosane encontrou apoio na segunda madrinha: Carmem Dora, responsável por fazer manualmente todos os acessórios que acompanham os produtos Fino Trapo Rodrigues. Com apoio de Carmem e muito trabalho em 2012 a Fino Trapo Rodrigues adquiriu sua primeira máquina industrial e uma nova história estava para começar. O foco na sustentabilidade ambiental aproximou a Fino Trapo Rodrigues da natureza e Porto Alegre e o ateliê improvisado já não se encaixavam nesse perfil. Em dezembro de 2013 a Fino Trapo Rodrigues instala-se na Vargem Grande, em Florianópolis. Recém-chegada, ainda em adaptação, a terceira madrinha da carreira deu o empurrão que faltava. Luiza Souza, responsável pelo Banco Social de Tecidos de Porto Alegre, de férias em Florianópolis, doou material suficiente para a produção de uma grande quantidade de bolsa, de todas as cores e combinações. Esse foi o grande impulso para o renascimento da Fino Trapo Rodrigues. Durante o ano de 2014 e 2015 foram esses tecidos e algumas pequenas novas doações que aceleraram a produção das bolsas, carteiras e organizadores. Em 2015 a quarta madrinha: Ariadiny Vilha. Se a produção acelerava, as vendas estagnaram. Mas Ariadiny reverteu essa situação e logo Florianópolis começou a conhecer a marca e, principalmente, seu foco em reaproveitamento, plantando sementes para colher consciência ambiental. Em fevereiro de 2017 a Fino Trapo Rodrigues inaugura seu primeiro ateliê, em sede própria. Atualmente confecciona, além das bolsas e carteiras, cangas, mochilas, bolsas toalhas, pufe de pneus descartados, organizadores, porta documentos secreto, descansa olho, embalagem presente, almofadas aromáticas – com ervas frescas colhidas na horta Fino Trapo Rodrigues, lustres e abajures com garrafas descartadas, e tudo aquilo que a imaginação da Rosane inventar! Sejam bem-vindos à Fino Trapo Rodrigues. Acreditamos que juntos podemos melhorar o mundo!