11/08/2026
Por trás de uma arquitetura tão marcante, existe uma história que eu não conhecia.
O Hotel Unique foi idealizado pela família Siaulys e projetado por Ruy Ohtake, grande amigo da família. Desde o início, a intenção era criar mais do que um hotel: um marco para São Paulo, com uma arquitetura inédita e uma experiência diferente do que existia até então.
Mas a história da família tem um capítulo que me chamou ainda mais atenção.
Lara, filha de Victor e Mara Siaulys, nasceu com deficiência visual. A partir dela, a família passou a perceber de outra maneira a importância dos outros sentidos na experiência do mundo.
Essa história também está presente no Hotel Unique. O elevador, por exemplo, tem baixa iluminação e foi concebido como uma experiência sensorial. Ao entrar, somos convidados a experimentar o ambiente de uma maneira diferente. E as portas do elevador fazem uma homenagem a Lara, cuja percepção visual se limita à distinção entre ambientes claros e escuros.
E a experiência sensorial continua na piscina vermelha do rooftop. A cor intensa reforça o caráter lúdico do projeto e cria um contraste visual impossível de ignorar. Para completar, há música debaixo d’água, levando também a audição para dentro da experiência.
Em 2025, o Hotel Unique recebeu o Selo Ouro de Inclusão e Acessibilidade, SOINA, concedido pela Organização Nacional de Cegos do Brasil, tornando-se o primeiro hotel do Brasil a receber essa certif**ação. Lara Siaulys participou da entrega do selo.
Talvez seja isso que torne um projeto realmente especial: quando existe uma história por trás dele e essa história consegue atravessar a arquitetura.
Saí do Unique pensando muito sobre isso.
Arquitetura não é apenas aquilo que vemos. É também aquilo que sentimos.