11/07/2019
Cada ser humano é repleto de histórias incríveis que desejam expressar em seus ambientes de morar, de trabalho ou de lazer para que possam se apropriar destes lugares e chama-los de seu.
Essa semana, uma colega me relatou um episódio curioso envolvendo um casal de seu círculo de amigos.
Entusiasmados, eles contrataram um profissional para elaborar o design de interiores do seu apartamento e lhe deram total liberdade para escolher os objetos, as cores e os materiais que fariam parte do seu novo lar.
O resultado foi um ambiente esteticamente impecável: minimalista, moderno e digno de figurar nas revistas especializadas em design e decoração.
Mas, com o passar dos meses, os clientes passaram a não se sentir confortáveis no ambiente, pois o encanto incial havia desaparecido. Parecia que faltava alguma coisa.
O problema, para mim, foi evidente: o apartamento foi concebido como um projeto genérico.
Por mais deslumbrante que pudesse parecer em um primeiro momento, o espaço não refletia a personalidade dos moradores e não contemplava as suas memórias afetivas.
Embora possa parecer óbvio, esse ainda é um dos maiores erros dos arquitetos e dos designers, que desenvolvem projetos pautados no seu gosto pessoal e na sua visão de mundo.
Nós não fazemos projetos para nossa vaidade.
Antes de projetar, precisamos deixar nosso ego de lado e mergulhar no universo dos nossos clientes para extrair deles, a sua essência.
Afinal, nós projetamos para pessoas: seres históricos e sociais.
Temos, portanto, que compreender sua trajetória, de onde vieram, onde estão e para onde desejam ir.
Só assim conseguiremos sintonizar a nossa percepção profissional com a visão de mundo de quem nos contrata.
Retratar no espaço, em cada cômodo e cada detalhe, um pouco da história de vida dos nossos clientes é o que garante a satisfação deles.
Afinal, os seres humanos só se apropriam de espaço quando veem nele o reflexo da sua identidade.