24/08/2026
O projeto parte de uma pergunta simples: o que faz um espaço de passagem se tornar presença?
O Hall de Entrada da Casa Verde foi concebido como o primeiro gesto da casa, carregando a responsabilidade de estabelecer o tom do que vem depois. A decisão foi de
contenção: nenhum elemento compete pela atenção, nenhuma forma se impõe antes que o corpo tenha tempo de se orientar.
O espaço se revela na medida em que é
percorrido.
O pé-direito generoso é trabalhado como condição de respiração. A verticalidade organiza o campo visual sem hierarquizá-lo de forma abrupta. As ripas verticais que
atravessam o projeto repetem-se, modulam a luz e marcam o ritmo sem criartensão. Paralelismo como estabilidade, não como monotonia.
Ao longo do corredor, as esquadrias voltadas para o jardim central atuam como matéria ativa da arquitetura. O verde muda com a luz, muda com a hora, introduz o tempo no
espaço. É o único elemento do projeto que o arquiteto não controla completamente, e é exatamente porisso que equilibra o conjunto.
A transição entre o social e o íntimo acontece por acúmulo de sinais sutis: a mudança na temperatura da luz, o estreitamento gradual do campo, a presença crescente da
madeira. O corredor prepara a chegada aosquartos sem anunciá-la, conforme verão à seguir.