08/02/2026
Ontem foi dia de cozinha viva.
Ofereci mais uma oficina de culinária baiana, mas dessa vez diferente das outras.
Não tinham turistas.
Todos eram daqui, de Salvador, querendo aprender mais sobre a própria culinária.
A gente sente que muita coisa vem se perdendo com o tempo.
O costume de se juntar pra fazer um caruru.
De chamar a família, os amigos, a vizinhança.
De transformar a cozinha em festa, em encontro, em ritual.
Antes, era comum:
avó, mãe, tias, todo mundo junto,
fazendo caruru, vatapá, xinxim de galinha, moqueca de peixe, arroz de coco, feijão de leite.
Hoje, esses pratos ficaram associados às pessoas mais antigas,
enquanto a geração nova ama comer, postar, comentar,
mas nem sempre se vê fazendo.
E tem mais.
O trabalho na cozinha foi colocado, por muito tempo, como algo menor.
Como obrigação.
Como subserviência (especialmente para a mulher)
Não como prazer.
Pra mim, cozinhar é o oposto disso.
É ancestralidade.
É troca.
É afeto.
É integração.
Por isso faço questão de dizer aos meus alunos:
essa oficina não é só sobre aprender receitas.
Receita por receita você aprende no YouTube.
Aqui é sobre se divertir, conversar, trocar ideia, ouvir música, tomar uma cerveja ou uma caipirinha.
É cozinhar junto, rindo, errando, acertando e aprendendo.
É nessa cozinha que eu acredito.
Uma cozinha que acolhe, que ensina e que conecta.
Um lugar onde você prepara o combustível do seu corpo, corpo este que é a casa da sua alma.
Meu agradecimento especial aos alunos incríveis dessa turma:
Aline, Alane, Jorge e Seu André.
Tenho certeza de que tudo o que foi vivido aqui vai ser replicado por aí.
E um agradecimento cheio de carinho à que fez todos os registros dessa oficina.
Valeu, Cris! 👏🏽
Que venham as próximas oficinas!
Em breve, inscrições abertas para a de massa artesanal e mais uma edição de comida baiana.
Vem aprender!
Vem cozinhar!
Vem viver a cozinha com a gente, bb 💕