03/03/2026
Erguida em adobe — tijolos de terra crua — pelos próprios moradores na década de 1980, esta residência em Feira Nova, no agreste pernambucano, passou por uma requalificação com foco na ampliação da ventilação e da iluminação naturais.
Em diálogo com o saber construtivo popular, o projeto desenvolvido pelo Studio Zé () respeita e ressignifica as técnicas locais, respondendo aos desafios climáticos e sociais contemporâneos — sobretudo na busca por permanência digna nos territórios.
Inspirada nos princípios apresentados por Armando de Holanda em “Roteiro para construir no Nordeste” (2010), a proposta privilegia o uso de materiais naturais e regionais, ventilação cruzada e abundante luz natural, além de soluções de baixo custo tanto na execução quanto na manutenção. As estratégias construtivas foram pensadas para dialogar com a mão de obra local, valorizando o conhecimento tradicional e assegurando viabilidade à obra.
As paredes originais de adobe foram preservadas, contribuindo também para o desempenho térmico da casa. A principal intervenção consistiu na elevação do pé-direito em um dos trechos, criando um desnível nas duas águas da cobertura. Essa solução possibilitou a exaustão do ar quente pela fachada poente por meio de uma linha de cobogós.
Cinco ambientes antes subutilizados deram lugar a uma ampla sala integrada, um jardim interno e um terraço aberto, reforçando a vocação da casa para o convívio. As portas originais foram restauradas e passaram a contar com placas de concreto pré-moldado, aplicadas como brises horizontais de baixo custo — elemento que também conforma os bancos do terraço.
O muro frontal, mantido a pedido da moradora (mãe do arquiteto), recebeu vazios em trama de tijolos cerâmicos, inspirados na forma como as olarias empilham as peças para secagem. Já a base foi revestida com placas cerâmicas originalmente utilizadas nas chapas de forno das casas de farinha da região.
Fotos: Hélder Santana