10/08/2026
Dois anos 🤍🕊️
Hoje completo dois anos daquele dia em que meu Pai Oxalá levado à vasilha. Dois anos desde que uma responsabilidade ainda maior foi colocada sobre os meus ombros e talvez só quem vive a religião de verdade consiga compreender o que significa olhar para aquele ocutá e saber que ali existe fundamento, existe axé, existe compromisso e existe uma parte da minha caminhada que não pode ser tratada com descuido.
Ser filha de Oxalá, para mim, nunca foi apenas carregar um nome ou uma cor. É aprender, todos os dias, sobre paciência, humildade, silêncio, respeito e responsabilidade. É entender que nem sempre a resposta vem na hora que eu quero. Que nem sempre o caminho será fácil e que ter um Pai firmado junto de mim também significa ser cobrada por aquilo que escolhi assumir.
A religião cobra, cobra postura, cobra cuidado, cobra presença, cobra respeito e cobra maturidade. Quanto mais a gente aprende, mais entende que o sagrado não existe somente nos dias de festa, nas roupas bonitas, nas fotografias ou nos momentos em que tudo parece bonito. O sagrado está também na obrigação cumprida, no cuidado silencioso, na disciplina, na renúncia, no respeito aos mais velhos, na responsabilidade com a casa e, principalmente, na responsabilidade com aquilo que carregamos.
Ter um santo em uma vasilha é saber que existe algo muito maior do que nós. É assumir um compromisso que não termina quando a porta da terreira se fecha. É levar para a vida aquilo que a religião ensina. É saber que cada passo precisa ser dado com mais consciência, porque aquilo que foi firmado também nos ensina a permanecer firmes.
E eu sei que ainda tenho muito a aprender.
Sou uma filha que erra, que questiona, que às vezes se cansa, que tem seus medos e suas limitações. Mas também sou uma filha que permanece, que aprende, que respeita, que ama, que entende, cada vez mais, que a caminhada religiosa não é sobre chegar a algum lugar, mas sobre se tornar, pouco a pouco, alguém mais digno de carregar aquilo que recebeu.
Hoje, olhando para as fotos eu não vejo somente registros de dois anos, vejo tudo aquilo que precisei aprender, vejo as pessoas que caminharam comigo, os ensinamentos que