25/01/2021
Me respeita,
Porque tive peito de me buscar, de me entender, de me aceitar...
E me buscando, achei a bruxa...
Sobrevivendo muito abaixo dessa crosta de aparências, de performances de papéis femininos, tão frágeis quanto esmagadores...
Sobrevivendo onde sopram os ventos divinos...
Dentro e fora...espiralando e circulando...e em meio à eles, ela dança!
E eu, sentindo todo esse movimento...
Por vezes assombrada,
Por outras, grata...
Pela ausência da condição de comodidade...
Sabendo, simplesmente por saber, que é nas profundezas de tudo que há de mais sagrado onde ainda uma bruxa consegue respirar...
Me respeita, porque bruxas vão bem além das vassouras, dos chapéus pontudos e do ar cinematográfico...
Mulheres curiosas, entranhadas às massas, estudando, refletindo, pulando fora de lendas, questionando ídolos, desbancando mestres, conectando-se às gentes, impregnando-se dos cheiros e gostos, sorvendo pensamentos e sentimentos, somando-se às misturas e culturas,
À vida, sem subterfúgios...
Transitando entre mundos, externa e internamente...
Rodopiando com seus medos...
Pois o velho caldeirão fumega dentro delas, esse símbolo sim, persiste! Dele fazemos questão! É da essência...
É o que nos faz o que somos...
Me respeita, porque bruxas rezam!
Abençoam...
Rezam com o olhar, rezam com os ouvidos, rezam com a razão e com o coração, dia e noite...
Rezam entre o fiar das horas, metidas em suas lidas, ocupadas nas crias, nos fazeres, nos saberes...
Rezam rindo, rezam chorando, rezam vivendo e rezam morrendo, vivendo e morrendo, vivendo e morrendo...
Enquanto cuidam de suas coisas, e das de todo mundo, porque essa é sua sina...
E amaldiçoam...
Tudo que nos priva da liberdade de nos buscarmos até nos acharmos realmente...
Esse tudo que traz miséria e é imposto como salvação.
Sagrada e profana bruxa!
Me respeita, porque bruxa é a mulher que ensina.
Que faz.
Que inspira.
Independente se é velha, moça ou menina...
Depende só se traz consigo aquela inquietação...
Aquela agonia que dentro da gente faz turbilhão...
Um desassossego sem co***lo, sem rédea...
Parecendo que tem um bicho...
Uivando sem fim dentro da gente...
O meu mundo, és o mesmo teu!