22/02/2026
A ayahuasca, uma bebida psicoativa de origem vegetal, típica da América do Sul e usada na medicina tradicional e no xamanismo, ganhou enorme popularidade como prática de bem-estar nos últimos anos.
Dito isto, esta permissividade é intrinsecamente frágil, porque assenta na discricionariedade e no contexto, e não numa proteção legal explícita, podendo alterar-se rapidamente em resposta a pressões políticas ou a acontecimentos adversos”, acrescenta Carbó.
Mas, como a decocção contém dimetiltriptamina (DMT), substância que provoca visões intensas, purgas e experiências psicológicas muito fortes, está proibida na maioria dos países europeus.
Dezenas de centros de retiro convidam hoje viajantes em busca de bem-estar alternativo para locais remotos no Peru e no Brasil, onde podem contactar com tradições de ayahuasca profundamente enraizadas.
Esta prática indígena tem despertado um interesse crescente no Ocidente, alimentado pela ascensão do turismo espiritual, pelas revelações públicas de celebridades sobre o uso de psicodélicos e por debates culturais mais amplos em torno da saúde mental e da espiritualidade.
À medida que cresce o interesse em retiros de ayahuasca na Europa, aumentam também as preocupações com a segurança e a apropriação cultural.
Em Espanha, esta permissividade é em grande medida moldada pela jurisprudência, em que os tribunais têm tendido a distinguir o consumo privado e não comercial do tráfico ou de situações de dano público.
Em Portugal, a reputação de permissividade está intimamente ligada à descriminalização, em 2001, da posse de dr**as para consumo próprio e à consequente abordagem da fiscalização centrada na saúde pública.