21/12/2019
Sentir-se amparado nos momentos difíceis é algo para poucos. Talvez porque poucas pessoas saibam realmente cuidar dos outros. Cuidar não é fazer pelo outro, mas ajudar o outro a fazer por si próprio. Fosse o contrário, poderíamos consertar o mundo simplesmente distribuindo dinheiro. Se possível, seria uma ótima solução, você abriria sua carteira, doaria seu dinheiro e a vida da pessoa se resolveria. Você nunca mais seria incomodado com as misérias humanas. Por isso, dar esmolas não ajuda ninguém, o pobre coitado terá fome por todos os dias de sua vida, e você só resolve, no máximo, um dia da vida do sujeito. O que ele precisa é de amparo, não que ele não precise comer hoje, ele precisa, mas amanhã ele precisa ganhar seu próprio pão dignamente.
Acho que a caridade tem seu mérito e não a desmereço, mas é muito pouco, oferece a falsa ilusão de que não há problemas, e a sujeira f**a embaixo do tapete, por isso tropeçamos nele todos os dias.
Neste Natal, se puder, ofereça amparo. E não somente para aquele morador de rua que não terá nem teto nem ceia, mas para aquela tia que está deprimida, aquele tio ranzinza que não gosta de ninguém, aquela mãe que se preocupa com você, e que você lhe dá um presente caro, mas nega sua companhia. Todos eles precisam de amparo. Maria e José tiveram amparo para o nascimento de Jesus, embora em fuga, os animais e os anjos estavam lá para dar-lhes um mínimo de aconchego. Ofereceram pouco, em relação aos reis magos, que chegaram depois com presentes, mas estavam lá oferecendo o que tinham na hora do parto, um alívio para a dor.
Não devemos focar nos presentes, eles não são essenciais e não tiram a dor.
@ São Paulo, Brazil