08/02/2026
Todos encontramos uma maneira de lidar com o luto
Na semana passada, perdi minha tia querida Cecília Roveri. Assim como minha mãe, ela foi uma grande fonte de apoio e incentivo. A notícia de sua partida me colocou em um coma emocional por dias, mergulhando-me em um profundo estado de dor, arrependimento e tristeza. Quando decidi não permitir mais que o luto me dominasse e deixei que a suavidade do seu legado preenchesse esse vazio, meu coração começou a tentar encontrar paz.
Minha tia foi minha primeira professora de artes quando eu tinha 11 anos. Ela era uma pintora autodidata, embora nunca quisesse ser chamada de pintora ou artista. Passou a vida levando alegria a milhares de lares por meio de suas belas criações, pintando desde panos de prato e cortinas até tapetes e jogos de cama.
Por meio de uma técnica desenvolvida por ela com a ajuda do meu avô, os dois trabalhavam nos fundos de casa, criando moldes e estênceis de metal e filmes de raio X. Nas mãos de seu talento extraordinário, aquelas ferramentas simples se transformavam em flores e cenas delicadas.
Ela era uma pintora orgânica, sem medo da cor preta e com um domínio admirável do branco, usado de forma deliberada e com uma delicadeza inabalável. Sua técnica era simples, e seus resultados eram suaves. Suas criações nunca tiveram a intenção de ser fenomenais ou extravagantes. Eram atemporais, acolhedoras e feitas para levar beleza e conforto ao cotidiano.
Ela me ensinou a amar o simples. Celebrava cada um dos meus esforços com uma generosidade silenciosa. Não deixou instruções escritas nem aulas gravadas explicando seus métodos. Em vez disso, confiou aos seus alunos a missão de preservar sua técnica para que jamais fosse esquecida. Deixou um presente e também um desafio.
Foi a maneira como ela enfrentou sua doença, sem permitir que o cancer definisse quem era, juntamente com sua generosidade sem limites, onde encontrei forças para seguir em frente e enfrentar o meu luto. E será o seu amor pelas flores e pelas cores que me ajudará a dar continuidade ao seu legado e levar coisas belas para lares bonitos.
Descanse em paz, tia amada. Sentirei sua presença em cada pin