12/09/2026
O gaio-comum é provavelmente o mais importante plantador de carvalhos de Portugal — e Setembro é o mês em que esta actividade está no pico absoluto, com cada gaio individual a trabalhar durante a maior parte das horas de luz para colher, transportar e enterrar bolotas que servirão de reserva alimentar durante o Inverno.
A capacidade de transporte do gaio é notável para um pássaro do seu tamanho: tem um s**o gular extensível que pode acomodar cinco a sete bolotas simultaneamente, mais uma no bico. Com estas cargas, voa distâncias de 500 metros a dois quilómetros do carvalho-mãe antes de seleccionar um local de enterramento. Cada bolota é enterrada individualmente, a dois a cinco centímetros de profundidade, num local específico que o gaio memoriza em relação a pontos de referência visuais — uma pedra de forma particular, o ângulo de um tronco, a forma de um muro.
A memória espacial do gaio foi extensivamente estudada e os resultados são consistentemente notáveis: ao longo de um Outono, um gaio pode criar entre 4.500 e 5.000 esconderijos separados em locais diferentes num território de vários quilómetros quadrados, e na Primavera seguinte recupera e consome a grande maioria — os estudos estimam taxas de recuperação de 90 a 95 por cento.
A fracção de cinco a dez por cento de bolotas que não é recuperada — por morte do gaio, por deslocação de território ou simplesmente por esquecimento real — são exactamente as que têm as melhores condições para germinar: foram enterradas à profundidade certa, num solo selecionado pelo gaio por características específicas, a uma distância do carvalho-mãe que favorece a expansão da espécie.
A distribuição dos carvalhos em Portugal — a forma como surgem em locais isolados, afastados de carvalhos adultos existentes — é em grande parte o resultado de séculos de plantação involuntária por gaios.