19/06/2026
Percepção positiva dos mercados estrangeiros sobre as recentes alterações legislativas na arquitectura portuguesa
Coimbra, 19 de Junho de 2026
Carlos Lucas Arq.
As reformas legislativas recentes em Portugal, particularmente no âmbito do urbanismo e do licenciamento de operações urbanísticas, estão a gerar entusiasmo entre investidores, promotores e profissionais estrangeiros do setor da arquitetura. As alterações, que incluem a revisão do Regime Jurídico da Urbanização e Edificação (RJUE) através do Decreto-Lei n.º 108/2026 e a consolidação do Simplex Urbanístico, são vistas como um passo decisivo para modernizar o quadro regulatório, reduzindo burocracia e reforçando a qualidade do edificado.
Mercados internacionais, especialmente de países com tradições fortes em arquitectura contemporânea como a Alemanha, Países Baixos, Reino Unido e Escandinávia, acompanham com otimismo estas mudanças. Analistas e fundos de investimento estrangeiros destacam a simplificação de procedimentos - com a generalização da comunicação prévia em detrimento de licenças mais complexas, a obrigatoriedade da Plataforma Eletrónica dos Procedimentos Urbanísticos (PEPU) a partir de janeiro de 2026 e a revogação do antigo Regulamento Geral das Edificações Urbanas (RGEU) em junho - como fatores que tornam Portugal mais atrativo para projetos de grande escala e investimento sustentável.
Autonomia reforçada para os arquitectos
Um dos aspetos mais celebrados é o maior espaço de autonomia técnica e criativa conferido aos arquitectos. As reformas clarificam e agilizam as responsabilidades dos técnicos qualificados, reforçando o papel central dos arquitectos na conceção e apreciação de projetos. Ao reduzir entraves burocráticos desnecessários e prazos excessivos, os profissionais ganham margem para se concentrarem no que melhor sabem fazer: projetar soluções inovadoras, contextualizadas e de elevada qualidade estética e funcional.
Fontes ligadas a gabinetes internacionais que operam em Portugal sublinham que esta autonomia esperada representa um contraponto positivo face a contextos mais rígidos noutros mercados europeus. “A desburocratização permite que os arquitectos assumam plenamente a sua visão criativa, sem perderem o rigor técnico exigido pela Ordem dos Arquitectos”, nota um promotor imobiliário britânico com projetos em Lisboa e no Porto. Esta perceção alinha-se com a defesa histórica da Ordem dos Arquitectos pela manutenção de atos próprios da profissão, garantindo qualidade e responsabilidade.
Impacto positivo na qualidade arquitetónica
O entusiasmo dos mercados estrangeiros radica, sobretudo, na expectativa de que maior autonomia se traduza em melhor qualidade do edificado nacional.
Com processos mais previsíveis e rápidos, espera-se:
Inovação acelerada: Mais liberdade para incorporar princípios de sustentabilidade, eficiência energética e integração urbana, alinhados com as melhores práticas europeias.
Atração de talento internacional: Arquitectos e estúdios estrangeiros de renome mostram maior interesse em colaborar ou estabelecer presença em Portugal, trazendo know-how que eleva o padrão geral.
Valorização do património e do novo: A simplificação não compromete o controlo de qualidade, mas permite respostas mais ágeis a desafios como a habitação acessível e a reabilitação urbana, contribuindo para um parque edificado mais coerente, interessante e duradouro.
Crescimento económico:
Investidores estrangeiros vêem nestas mudanças um sinal de maturidade regulatória que facilita parcerias público/privadas e projetos de impacto.
Especialistas consultados por publicações internacionais destacam que Portugal, já reconhecido pela excelência de muitos dos seus arquitectos contemporâneos, pode agora posicionar-se como um hub atrativo na Europa do Sul, combinando clima favorável, incentivos e um quadro legal mais moderno.
Apesar de alguns debates internos sobre o equilíbrio entre simplificação e salvaguarda de competências profissionais, o consenso entre observadores estrangeiros é otimista: estas alterações legislativas podem marcar o início de uma nova era dourada para a arquitectura portuguesa, com benefícios tangíveis para a sociedade, a economia e a paisagem construída do país. A Ordem dos Arquitectos continua a desempenhar um papel fundamental na regulação e promoção da qualidade, garantindo que a autonomia se traduza em excelência.
O futuro dirá se estas expectativas se concretizam plenamente, mas o "momentum" atual é claramente positivo. Portugal apresenta-se, aos olhos do mundo, como um destino onde a arquitectura pode florescer com maior liberdade e impacto.
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