Egídio Santos Cerâmica de Autor

Egídio Santos Cerâmica de Autor Todas as peças são únicas, moldadas na roda ancestral e cozidas em forno artesanal de lenha.

Herdeiro do património e do saber do barro há cinco gerações, Egídio Santos cria peças únicas de cerâmica na sua olaria artesanal de São Pedro do Corval, Alentejo.

Caiu sobre esta nossa terra linda a Sul aquela calma que nem as moscas saem à rua, mas cá continuamos na roda e no forno...
27/06/2025

Caiu sobre esta nossa terra linda a Sul aquela calma que nem as moscas saem à rua, mas cá continuamos na roda e no forno.
Temos andado, eu e a Constança, a tentar meter na peça o que nos vai na alma.
A moça safa-se na alma e na mão e esta tijelinha tem desenhada uma borboleta que o meu avô tanto fazia nos seus pratos.
É património nosso.
Já não ando muito pelos campos, é olaria-casa, casa-olaria, que não tenho mãos para tanta encomenda, mas nunca me deixa o que vi nos campos quando era moço.
Esta árvore é uma das imagens com que ando sempre.
Passem por aqui, porque gostamos de partilhar a nossa arte.

Estes rapazes valentes de Elvas não brincam nesta altura das festas.Diz-se, diz-se que eu nunca vi com estes dois que a ...
26/12/2024

Estes rapazes valentes de Elvas não brincam nesta altura das festas.
Diz-se, diz-se que eu nunca vi com estes dois que a terra há de guardar, que as comadres com as melhores mãos para a receita que há muitos séculos as freirinhas partilharam são disputadas a peso de ouro e, às vezes quase a duelo de caçadeira, entre os donos das pastelarias.
Diz-se também que a farinha, da mais fina, claro, que chega por estas semanas à terra dá para encher os paióis do Forte da Graça.
Diz-se ainda que truques mágicos são feitos nas galinhas, para que metam cá fora o dobro dos ovinhos que costumam dar.
Tudo pela bela da siricaia, claro, com a sua ameixinha a benzê-la.
Os clientes vêm de tudo o país, vêm de Espanha, é um corrupio delas a ser compradas todos os dias.
Mas a arte da siricaia exige dignidade e classe da forma.
Nós não alinhamos nessas modernices de forma de alumínio de churrasqueira e supermercado.
Prato de siricaia tem de ser prato dos nossos.
E, pronto, é labutar até cair para o lado.
O barro sai às toneladas, a roda chia, a perna dói, o forno lança calor que chega a Monsaraz.
São às centenas por dia, moços.
Mas uma encomenda é compromisso com cliente, e nesta casa nunca se falhou uma.
Pelo meio, ainda olhamos pelo que se faz pelo mundo, e tentamos a nossa interpretação do contemporâneo.
Estas taças, de vários tamanhos, estão agora por aqui, à espera de almas e corações que se apaixonem por elas.
Passem por cá para ver estas belas moças.
Se não me virem na roda, gritem pelo meu nome.
Devo estar a levar para o Sol os pratos da siricaia.

Aproxima-se o belo Natal e felizmente por estas terras já quase nós todos temos para partilhar e dar.Os dias da pena neg...
04/12/2024

Aproxima-se o belo Natal e felizmente por estas terras já quase nós todos temos para partilhar e dar.
Os dias da pena negra não foram assim há tanto tempo, mas ficaram para trás.
Aqui na olaria estamos de forno quase sempre a ferver.
Saem pratos para a sericaia como enxames, e tantas peças utilitárias que falta fazem para esta época.
Mas não esquecemos a nossa arte, e eu e a Constança lá vamos imaginando e criando.
Passe por aqui, fale connosco, veja no que resulta a nossa labuta.

Estas miúdas fazem parte dos nossos céus alentejanos, e deixam-nos sempre felizes quando voam em bando. Aqui na olaria t...
20/11/2024

Estas miúdas fazem parte dos nossos céus alentejanos, e deixam-nos sempre felizes quando voam em bando. Aqui na olaria tentamos reproduzir a sua graça em barro. Venha vê-las porque elas alegram qualquer parede ou pedaço de casa.

Andam as valentes moças da nossa criação a varar a azeitona que dará o melhor azeitinho do mundo.As nossas belas árvores...
08/11/2024

Andam as valentes moças da nossa criação a varar a azeitona que dará o melhor azeitinho do mundo.
As nossas belas árvores dobram com o peso da tangerina, da laranja e da romã.
Está um Outono bom para a labuta.
Nós por aqui não paramos, entre pratos para a siricaia e peças que nascem na nossa imaginação.
Estão todas aqui, na nossa nova loja, no edifício principal da olaria original Patalim.
Venham adentro e falem com a Constança ou vejam-na a moldar na roda.

Contam que as nossas velhas aldeias alentejanas estão mortas, mas essa é apenas uma parte da história.É verdade que cont...
28/10/2024

Contam que as nossas velhas aldeias alentejanas estão mortas, mas essa é apenas uma parte da história.
É verdade que continuamos remotos, que cada vez nascem menos raparigas e rapazes, e que estes na sua maioria querem abalar.
Mas quem olha assim, esquece de contar que ninguém deita abaixo a nossa resistência.
Estamos aqui há séculos a lutar contra tudo e o nosso suor leva tudo para a frente.
Essa é que é essa.
Levantamos agora, eu e a Constança, que como já escrevi aqui com orgulho é a primeira oleira da aldeia desde que a arte aqui nasceu, uma nova loja.
Está no edifício principal da olaria original Patalim.
Passem por cá para ver o que a Constança anda a moldar, para encontrar os utilitários que ainda faço à mão na roda e outras peças que a imaginação nos obriga a criar.

O fascínio deste pequeno pedaço de lugar levantado por mão humana é o de não ser de descodificação simples.Poderia ser u...
24/06/2024

O fascínio deste pequeno pedaço de lugar levantado por mão humana é o de não ser de descodificação simples.
Poderia ser uma tela onde a arte assentou, e surgem-nos imediatamente três ou quatro referências nacionais e internacionais de possível autoria.
Mas não custará vê-lo como uma superfície de séculos atrás, escavada por arqueólogos.
Na verdade, é apenas uma parede de habitação pobre criada com taipa, há uns bons cem anos.
É tão encantadora ao vivo, como nesta imagem.
Nas serras do longínquo Norte, ou nas planícies do Sul, escondidos, desprezados ou abatidos encontram-se estes pequenos lugares humanos que cativam de imediato, e aos quais queremos pertencer de seguida.
Esta que aqui partilho é de uma das casas da minha olaria.
Apesar de simbolizarem fome, sofrimento, pobreza e submissão, encho-me sempre de pena negra quando vejo estes lugares abandonados e substituídos por outros feitos de materiais que nada possuem para contar e encantar.

Que caminho fará a peça depois de aqui partir.É uma pergunta que tantas vezes me faço.Será utilizada e gasta, cumprindo ...
29/04/2024

Que caminho fará a peça depois de aqui partir.
É uma pergunta que tantas vezes me faço.
Será utilizada e gasta, cumprindo a sua função, isso por certo.
Envelhecerá numa família, chegando a património que passa de geração em geração, também por vezes acontece.
Ou poderá o dono da peça ver o mesmo que eu quando meti as mãos no barro, no caulino e na tinta.
Poderá descobrir que está ali uma história, um olhar pelo mundo, que tem tanto de memória como de sonho.
Se assim for, dar-lhe-á lugar de honra na sua casa, como acontece com o desta fotografia.

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A história fantástica que uma roda de oleiro vazia pode contar.Olhe-se para esta da imagem.Parece apenas isso, uma banca...
08/09/2023

A história fantástica que uma roda de oleiro vazia pode contar.
Olhe-se para esta da imagem.
Parece apenas isso, uma banca e uma roda vazias.
Mas olhe-se com olho de águia destas bandas da planície.
A banca e a roda parecem envelhecidas.
Usemos o olho de águia.
Não é velhice, é património.
Nelas já labutaram tantas gerações de oleiros.
Usemos de novo o olho de águia.
Está ali barro fresco.
Está ali sinal de trabalho.
É esta a história secreta desta roda.
Pertence a Constança Santos.
Dezanove anos, a primeira oleira da aldeia em 400 anos.
O tanto que isto conta, do orgulho a manter viva a arte, não cabe num livro.
E a moça safa-se.
Passem por aqui para ver as peças de autora dela.

Pararam de cair as águas do céu.Há agora razões para viajar por estas estradas alentejanas.Aqui por perto, o Lago do Alq...
15/12/2022

Pararam de cair as águas do céu.
Há agora razões para viajar por estas estradas alentejanas.
Aqui por perto, o Lago do Alqueva, o encanto de Monsaraz, e a nossa pequena aldeia de São Pedro do Corval.
A minha olaria está sempre aberta, o trabalho assim obriga.
Entre por aqui dentro, e veja as minhas peças.

Water has stopped falling from the sky.
There are now reasons to travel these Alentejo roads.
Nearby, the Alqueva Lake, the charm of Monsaraz, and our little village of São Pedro do Corval.
My pottery is always open, work obliges.
Come in, and see my pieces, shaped in the old fashioned way.

Endereço

São Pedro Do Corval
Reguengos De Monsaraz
7200

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