26/12/2024
Estes rapazes valentes de Elvas não brincam nesta altura das festas.
Diz-se, diz-se que eu nunca vi com estes dois que a terra há de guardar, que as comadres com as melhores mãos para a receita que há muitos séculos as freirinhas partilharam são disputadas a peso de ouro e, às vezes quase a duelo de caçadeira, entre os donos das pastelarias.
Diz-se também que a farinha, da mais fina, claro, que chega por estas semanas à terra dá para encher os paióis do Forte da Graça.
Diz-se ainda que truques mágicos são feitos nas galinhas, para que metam cá fora o dobro dos ovinhos que costumam dar.
Tudo pela bela da siricaia, claro, com a sua ameixinha a benzê-la.
Os clientes vêm de tudo o país, vêm de Espanha, é um corrupio delas a ser compradas todos os dias.
Mas a arte da siricaia exige dignidade e classe da forma.
Nós não alinhamos nessas modernices de forma de alumínio de churrasqueira e supermercado.
Prato de siricaia tem de ser prato dos nossos.
E, pronto, é labutar até cair para o lado.
O barro sai às toneladas, a roda chia, a perna dói, o forno lança calor que chega a Monsaraz.
São às centenas por dia, moços.
Mas uma encomenda é compromisso com cliente, e nesta casa nunca se falhou uma.
Pelo meio, ainda olhamos pelo que se faz pelo mundo, e tentamos a nossa interpretação do contemporâneo.
Estas taças, de vários tamanhos, estão agora por aqui, à espera de almas e corações que se apaixonem por elas.
Passem por cá para ver estas belas moças.
Se não me virem na roda, gritem pelo meu nome.
Devo estar a levar para o Sol os pratos da siricaia.