11/05/2026
A Vezeira de vacas de Fafião subiu, este fim-de-semana.
As vacas manter-se-ão nos montes do baldio, com mato, erva e água para se alimentarem até ao início do Outono, enquanto os campos f**am livres para o plantio.
Durante este período, os pastores revezam-se para ir ver os animais e mudá-las de curral, libertando, acordando os dias consoante o número de cabeças e disponibilidades.
Gostariam de acompanhar a vezeira um destes dias?
Falem connosco.
MONTALEGRE - A vezeira voltou à serra: em Fafião, maio ainda manda nas vacas
A vezeira de Fafião voltou a subir à serra este fim de semana, cumprindo uma tradição comunitária que continua a marcar a identidade da aldeia e da freguesia de Cabril, no concelho de Montalegre.
Apesar da chuva, os vezeireiros reuniram-se, como manda o costume, no primeiro domingo de maio, tendo decidido que a subida do gado aconteceria no sábado, 9 de maio. Segundo Raul Costa, presidente da Junta de Freguesia de Cabril, a tradição voltou a cumprir-se com a marcação dos animais antes da ida para a serra.
“As vaquinhas foram pintadas no galho direito, com uma rodela vermelha junto à cabeça, para se saber exatamente de que vezeira são”, explicou Raul Costa à Rádio Montalegre. Além desta marca, muitos dos animais foram também identif**ados com o chamado “cercilhar do rabo”, uma prática antiga que ajuda a distinguir o gado de Fafião do de outras zonas vizinhas.
A identif**ação é particularmente importante pela proximidade com territórios de fronteira, nomeadamente a zona de Vilar da Veiga. Raul Costa recorda que, por vezes, os portelos em pedra nem sempre estão em boas condições, o que pode permitir o cruzamento de animais. “Se acontecer, os de um lado e os do outro sabem a quem pertencem os animais”, referiu.
Este ano, subiram inicialmente 37 animais, mas o número deverá aumentar nos próximos dias. De acordo com o autarca, deverão ainda subir cerca de mais 20 animais, quando for levado também o boi, previsto para a próxima semana.
A vezeira envolve pastores de várias idades e mantém uma forte dimensão intergeracional. O mais velho dos vezeireiros tem 77 anos e o mais novo cerca de 33 ou 34. Raul Costa, que também participou este ano, foi “fazer a vez” do sogro, mostrando como a tradição passa dentro das famílias e continua a depender da disponibilidade de todos.
Mais do que a deslocação do gado para a serra, o dia é também de convívio e de trabalho comunitário. Os vezeireiros limpam as cabanas e os currais, retiram o material velho, queimam o feno e as urzes antigas e preparam nova cama para quem ali possa f**ar durante a permanência do gado.
“É um dia de festa, de convívio, de muita gargalhada e também de mudar as cabanas”, contou Raul Costa.
A vezeira deverá permanecer na serra até 29 de setembro, com os animais guardados diariamente e os currais a mudarem de local consoante a disponibilidade de alimento. Se o tempo permitir, alguns animais poderão f**ar na serra até outubro ou mesmo novembro.
Raul Costa defende ainda que esta prática tem potencial para ser mostrada às novas gerações e a quem visita Fafião. O presidente da Junta considera que seria interessante levar grupos de crianças, jovens ou visitantes à serra para conhecerem os animais, perceberem o funcionamento da vezeira e terminarem a visita com uma refeição tradicional.
A subida da vezeira volta, assim, a ligar Fafião à serra, à pastorícia, à vida comunitária e a uma forma antiga de gerir o território, que continua a resistir no Barroso.
Maria Jose Afonso
Imagem Julio Marques